{"id":378,"date":"2023-09-12T20:45:01","date_gmt":"2023-09-12T23:45:01","guid":{"rendered":"http:\/\/docentes.ifg.edu.br\/danielordine\/?p=378"},"modified":"2023-09-12T20:46:45","modified_gmt":"2023-09-12T23:46:45","slug":"stop-motions","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/docentes.ifg.edu.br\/danielordine\/stop-motions\/","title":{"rendered":"Stop-Motions para o Ensino de Cinem\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/youtu.be\/nExHq6SF6Rk?si=M-HEFokU34k692m2\">Link do V\u00eddeo<\/a><\/p>\n<p>Transcri\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo:<\/p>\n<p>Ol\u00e1 pessoal. Espero que estejam bem. Para quem n\u00e3o me conhece, meu nome \u00e9 Daniel, sou professor de F\u00edsica no Instituto Federal de Goi\u00e1s. Neste v\u00eddeo, venho compartilhar uma experi\u00eancia did\u00e1tica que trabalhei esse ano e acho que foi bem interessante.<br \/>\nSempre tive problemas com a parte de cinem\u00e1tica no 1o ano do ensino m\u00e9dio. A matem\u00e1tica das equa\u00e7\u00f5es assusta os estudantes que vem do ensino fundamental, e em muitos casos eles n\u00e3o tiveram uma base muito boa em matem\u00e1tica. Ent\u00e3o toda a ideia de se representar movimento utilizando fun\u00e7\u00f5es \u00e9 uma novidade muito chocante e assustadora para muitos.<br \/>\nPensei ent\u00e3o em tornar a coisa mais palp\u00e1vel, mas sem negar o acesso ao conhecimento matem\u00e1tico. Al\u00e9m disso, de forma que eles pudessem desenvolver outras habilidades no processo. Pra isso decidi que os estudantes fariam Stop-Motions, aqueles filminhos feitos a partir de fotos est\u00e1ticas, colocadas em sequ\u00eancia, para dar a ideia de movimento.<\/p>\n<p>Nesse v\u00eddeo eu vou apresentar os resultados desse processo, que achei muito legais. Primeiro vou detalhar um pouco mais a atividade. O que pedi aos estudantes para fazer, o que cobrei. E ent\u00e3o vou mostrar cada v\u00eddeo. Alguns v\u00eddeos tive que retirar, de grupos que fizeram errado, possivelmente por n\u00e3o entenderem alguma coisa da atividade. Para evitar quaisquer problemas de exposi\u00e7\u00e3o de menores, n\u00e3o vou identificar os autores. Se eles quiserem manifestar a autoria, s\u00f3 fazer pelos coment\u00e1rios. Quem quiser saber algo mais sobre o processo, manda a\u00ed nos coment\u00e1rios tamb\u00e9m, que terei prazer em explicar.<\/p>\n<p>O projeto inteiro durou mais ou menos um bimestre. Aproximadamente 8 aulas de 1h30min. Dava para fazer em menos, se eu conduzisse os alunos com mais precis\u00e3o, mas eu gosto de trabalhar com um pouco mais de liberdade, deixando os alunos quebrando a cabe\u00e7a sozinhos um tempo para s\u00f3 depois eu apresentar a solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Primeiro, Expliquei o que \u00e9 um Stop Motion. Dei exemplos. Expliquei o que \u00e9 fps, o n\u00famero de quadros por segundo. Muitos alunos acostumados com jogos de videogame s\u00e3o familiarizados com o termo, pois \u00e9 uma medida da suavidade do movimento do jogo. Ent\u00e3o fizemos uma continha simples para descobrir o tempo entre cada quadro. Se o filme tiver 10 quadros por segundo, os quadros ter\u00e3o um intervalo de 0,1 segundos entre eles. Se o filme tiver 8 quadros por segundo, 0,125, pois 8 quadros separados por 0,125 segundos completar\u00e3o 1 segundo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eles tiveram que escolher para o primeiro v\u00eddeo o n\u00famero de quadros por segundo. A escolha era livre, mas tinham que escolher: fps baixo demais significaria um movimento travado. fps alto demais significaria n\u00famero muito grande de imagens.<\/p>\n<p>Com o fps escolhido e sabendo o tempo de cada quadro, fomos para o Excel. Sempre tento fazer alguma atividade com o Excel com meus alunos, pois acho uma ferramenta fundamental no mundo de hoje, al\u00e9m de servir como uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica de programa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o eles montavam uma planilha com uma coluna para tempo e uma para posi\u00e7\u00e3o. Definia o tempo do primeiro e do segundo quadro, e deixava o Excel fazer o resto.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o cada grupo tinha que escolher a velocidade de seu m\u00f3vel. Eles podiam escolher qualquer velocidade. Se tivesse a ver com o filme, melhor ainda. Por exemplo, se fossem usar um carrinho, seria interessante velocidades realistas, tipo 10, 20 ou 30 metros por segundo. Ent\u00e3o, tinham que inserir a fun\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o no excel com a velocidade escolhida. No caso, simplesmente a velocidade vezes o tempo transcorrido. Bota o excel para calcular, fazer o resto no v\u00eddeo todo, e pronto. Tabela feita.<\/p>\n<p>Agora era a hora de filmar. Primeiro, eles tinham que definir como fariam o v\u00eddeo. Escolher o objeto, posicionar a c\u00e2mera. Ent\u00e3o, tinham que escolher uma escala. Um carrinho de brinquedo n\u00e3o vai andar de fato 30m\/s, ser\u00e1 preciso ajustar uma correspond\u00eancia de escala. Talvez cada metro na tabela corresponda a 10 ou mesmo 1 cm no mundo real. Os grupos tinham que pensar isso e definir. Nos primeiros v\u00eddeos eu exigi que eles me explicassem qual era a escala.<\/p>\n<p>E eu avaliava seguindo quatro crit\u00e9rios: Primeiro, se a planilha foi entregue e estava correta, e condizia com o movimento. Alguns alunos demoraram a entender que a planilha determinava a posi\u00e7\u00e3o do objeto a ser filmado. Isso foi muito doido. Por mais que eu explicasse, insistiam em chegar com um v\u00eddeo pronto. E eu perguntava: t\u00e1, cad\u00ea a planilha? E eles: n\u00e3o fizemos ainda. E eu dava bronca, mandava apagar o v\u00eddeo e fazer a planilha primeiro.<\/p>\n<p>O segundo crit\u00e9rio era o que j\u00e1 mencionei, a escala. Tinham que me explicar, seja por v\u00eddeo ou foto, a escala utilizada. Por exemplo, podia dizer que cada azulejo do ch\u00e3o corresponderia a 2 metros. Ou que cada linha de caderno seria 1 metro, por exemplo. E a posi\u00e7\u00e3o seguiria por essa escala.<\/p>\n<p>Muitos alunos tiveram dificuldade em entender isso tamb\u00e9m. Por exemplo, se escolhiam a escala de que cada azulejo era 10 metros, tinham uma dificuldade tremenda em entender que se a posi\u00e7\u00e3o na planilha indicava 5 metros eles deveriam colocar exatamente na metade do azulejo, e se fosse 6 um pouco depois da metade. Demoramos muito tempo para esclarecer isso.<\/p>\n<p>O terceiro crit\u00e9rio era o pr\u00f3prio movimento do v\u00eddeo, se condizia com o proposto. Por exemplo, se no primeiro v\u00eddeo eu queria um movimento uniforme, o v\u00eddeo deveria exibir um movimento uniforme, e n\u00e3o algo diferente.<\/p>\n<p>E o quarto e \u00faltimo crit\u00e9rio era a est\u00e9tica. A qualidade do v\u00eddeo, como a estabilidade da c\u00e2mera e a nitidez das fotos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o mostro o resultado dos primeiros v\u00eddeos.<\/p>\n<p>Bem legal, n\u00e9? Viram que cada grupo pensou numa forma diferente de fazer. Alguns contaram uma hist\u00f3ria, outros utilizaram o p\u00e1tio, explorando os espa\u00e7os da institui\u00e7\u00e3o, outros fizeram vers\u00f5es bem simples.<\/p>\n<p>Depois dessa primeira familiariza\u00e7\u00e3o com o processo, a complexidade ia aumentando. O segundo v\u00eddeo era sobre movimento uniformemente variado. Tinham que colocar no excel uma nova equa\u00e7\u00e3o, dessa vez com uma acelera\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m escolhida por eles. Podia ser desacelera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>No movimento acelerado ou desacelerado era bem legal ver a rea\u00e7\u00e3o dos estudantes, vendo o resultado final. Coment\u00e1rios do tipo &#8220;olha, professor, ele vai andando cada vez mais r\u00e1pido!&#8221;. Torna a compreens\u00e3o do que \u00e9 acelera\u00e7\u00e3o mais palp\u00e1vel. Ent\u00e3o com voc\u00eas, os v\u00eddeos dos estudantes.<\/p>\n<p>O terceiro v\u00eddeo foi ainda mais desafiador. Eles tinham que juntar dois movimentos: um uniforme e um uniformemente variado. Poderia ser por exemplo um carro que viaja a uma velocidade constante e ent\u00e3o freia. Eles precisavam ent\u00e3o definir quais seriam o movimentos, e entender como representar a mudan\u00e7a do tipo de movimento nas equa\u00e7\u00f5es. Em outras palavras, entender que h\u00e1 uma continuidade, que a velocidade final de um movimento deve ser a velocidade inicial do outro, e que o tempo j\u00e1 transcorrido deve ser levado em conta ao montar a segunda equa\u00e7\u00e3o. Os alunos em geral demoraram para resolver todas as dificuldades, mas depois de muito trabalho, deu certo.<\/p>\n<p>O quarto v\u00eddeo era sobre lan\u00e7amento bal\u00edstico, ou movimento obl\u00edquo. Deveriam entender que o lan\u00e7amento bal\u00edstico \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o do que fizeram no v\u00eddeo 1 com o que fizeram no v\u00eddeo 2. Isto \u00e9, um movimento uniforme na horizontal e um acelerado, para baixo, na vertical. As dificuldades que mais vi nesta etapa foram as de definir corretamente a escala, e entender a no\u00e7\u00e3o de coordenadas, x e y. Mas tamb\u00e9m no final o resultado foi bom.<\/p>\n<p>Finalmente, no quinto e \u00faltimo v\u00eddeo os estudantes deveriam utilizar o que aprenderam para contar uma hist\u00f3ria, que misturasse diferentes tipos de movimento. Dessa vez, adicionei um novo crit\u00e9rio: o enredo, tendo um cl\u00edmax. Queria um v\u00eddeo com alguma emo\u00e7\u00e3o. E devo dizer que, em geral, os resultados foram incr\u00edveis.<\/p>\n<p>E a\u00ed, o que voc\u00eas acharam? Eu fiquei encantado com os resultados. Foi a primeira vez que fiz isso, mas certamente vou repetir, da pr\u00f3xima vez mais preparado. Neste semestre, vou at\u00e9 fazer uma vers\u00e3o mais curta tamb\u00e9m com estudantes de f\u00edsica 1 da Engenharia, at\u00e9 para comparar o desempenho. Obrigado por terem assistido at\u00e9 aqui. E como eu disse, se quiserem saber mais alguma coisa, podem mandar perguntas a\u00ed nos coment\u00e1rios. Abra\u00e7os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Link do V\u00eddeo Transcri\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo: Ol\u00e1 pessoal. Espero que estejam bem. Para quem n\u00e3o me conhece, meu nome \u00e9 Daniel, sou professor de F\u00edsica no Instituto Federal de Goi\u00e1s. Neste v\u00eddeo, venho compartilhar uma experi\u00eancia did\u00e1tica que trabalhei esse ano e acho que foi bem interessante. 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